Biografia de D. Estevão - A VIDA
Os elementos biográficos de D. Estêvão Bettencourt são aqui considerados em três etapas: Do nascimento ao ingresso no Mosteiro de São Bento(A); do ingresso na Abadia do Rio aos estudos em Roma (B); do retorno de Roma até a presente data(C).
A.
Do nascimento ao ingresso no Mosteiro de São Bento do Rio de
Janeiro
Flávio Tavares Bettencourt nasceu na cidade do Rio de Janeiro aos 16
de setembro de 1919, sendo seus genitores Antônio de Souza Bettencourt
e Maria Tavares Bettencourt. Aos 9 de novembro de 1919 recebeu o sacramento
do Batismo, ministrado pelo Monsenhor Luiz Gonzaga do Carmo na Igreja Nossa
Senhora da Glória (Laranjeiras). Fez sua Primeira Comunhão aos
15 de agosto de 1930, na Capela do Colégio de Nossa Senhora de Sion
(RJ). Aos 4 anos de idade viajou com os pais para Paris, onde permaneceu até 1928
quando então regressou ao Brasil. Os estudos, iniciados em Paris no
Lyceé Buffon, prosseguiram no Colégio de São Bento do
Rio de Janeiro, onde, de 1931 a 1935, fez o curso ginasial. Foi através
do convívio diário com os monges – sobretudo com D. Pedro
Candiota, D. Vicente Ribeiro e D. Tarcísio Silva Ferreira – que
Flávio Bettencourt chegou a conhecer a vida monástica. Esses
monges tiveram papel preponderante no crescimento de sua vida espiritual e
ingressou no Mosteiro de São Bento a 1 de fevereiro de 1936.
B. Do ingresso na Abadia do Rio aos estudos de Roma
Decorridos sete meses de sua entrada, recebeu aos 6 de outubro de 1936 o hábito de noviço das mãos do Abade D. Tomás Keller e, em razão de sua devoção aos mártires da Igreja primitiva, teve como padroeiro onomástico o protomártir S. Estêvão. Emitiu seus primeiros votos monásticos a 7 de outubro de 1937 na sala capitular do Mosteiro; sua profissão tempor ária foi recebida pelo Prior D. Bento Martins.
Desde a mocidade quer durante o curso ginasial no Colégio de São Bento, quer no período de seu noviciado, foi D. Estêvão Bettencourt um apaixonado pelos estudos. Ele é a figura típica do homem plenamente dedicado ao estudo. Imbuído do conhecimento grego, do latim, do francês, do inglês e do alemão, ele foi mandado por D. Tomás Keller para Roma a fim de doutorar-se em Filosofia no Pontifício Ateneu de Santo Anselmo, onde permaneceu de novembro de 1937 a janeiro de 1945. Chegou no Colégio de S. Anselmo a 1 de novembro de 1937, iniciando logo o curso de Filosofia. Em julho de 1939 recebeu o grau de bacharelado e, em seguida, presta exame de Licenciatura (De universa) aos 18 de maio de 1940.
Pouco antes de iniciar o curso de Teologia, fez sua profissão solene em Monte Cassino aos 7 de novembro de 1940, nas mãos do Abade D. Gregório IX Diamare. Recebeu o diaconato aos 12 de julho de 1942, conferido pelo Arcebispo D. Aloísio Tráglia, na Basílica de Santo Antônio de Pádua, em Roma. A ordenação presbiteral realizou-se na igreja de S. Agnese, na Piazza Navona aos 18 de julho de 1943, ministrada pelo mesmo Arcebispo que o fez diácono.
Importante foi o seu contato com o monge beneditino D. Anselmo Stolz. Percebendo em D. Estêvão Bettencourt uma inteligência lúcida e profunda, bem como sua formação monástica-espiritual, procurou, com habilidade, convencê-lo a fazer o doutorado em Teologia. Não obtendo êxito, resolveu escrever uma carta a D. Tomás Keller solicitando gentilmente que seu aluno D. Estêvão Bettencourt tivesse a permissão de doutorar-se em Teologia Dogmática. O pedido foi prontamente acolhido pelo Abade do Rio .
Assim, depois de iniciado o curso de Teologia em 1940, recebe o grau
de bacharelado em 1942 e presta exame de Licenciatura em julho de
1943.
Em novembro de 1944 defende a tese de doutorado sobre Orígenes , tendo
como moderador D. A. Stolz. Em outubro de 1944 matriculou-se no Pontifício
Instituto Bíblico de Roma para cursar algumas matérias, pois
ele antecipara a redação e a defesa de sua tese de doutorado.
Aos 21 de janeiro de 1945 apresentou-se a oportunidade rara de voltar ao Brasil
devido à II Guerra Mundial.
C.
Do Retorno de Roma até...
Aos 2 de fevereiro de 1945 chegou ao Rio. No Mosteiro realizou um Seminário
sobre a Sabedoria hipostática no Antigo Testamento sob a orientação
do Abade D. Tomás Keller, a fim de completar os créditos
necessários com a autorização do Pe. Reitor do
Colégio de S. Anselmo. Iniciou-se então uma nova fase
de sua vida, marcada sobretudo por uma intensa atividade no campo teológico,
sempre associada à contemplação e ao ritmo do “ora
et labora” de S. Bento. Assim podemos destacar três aspectos
desse labor eclesial:
a) O ensino das ciências bíblicas e da teologia
Desde o ano letivo
de 1945, D. Estêvão Bettencourt assumiu
a cátedra bíblica na Casa de Estudos da Congregação
que funcionava no interior da Abadia do Rio de Janeiro e que, como Escola
Teológica da Congregação Beneditina do Brasil, passou
a funcionar em sede própria no Mosteiro. Ao longo dos anos foi professor
também de diversas disciplinas filosóficas e teológicas
em várias Universidades e Institutos do Rio de Janeiro: na Universidade
Santa Úrsula (de 1946 a 1980), na Pontifícia Universidade
Católica (de 1958 a 1961 e de 1968 a 1974), na Universidade Católica
de Petrópolis
( de 1968 a 1978), no Instituto Superior de Teologia da Arquidiocese
do Rio de Janeiro (desde 1985), na Escola Superior de Catequese “Mater
Ecclesiae”, na Escola “Luz e Vida” de Catequese, no Instituto
Pio X do Rio de Janeiro ( 1957 e 1958).
b) Participação em Cursos, Simpósios e Congressos
Além das aulas regulares durante os semestres acadêmicos, D. Estêvão Bettencourt participou várias Semanas Bíblicas Nacionais promovidas desde 1947 pela Liga de Estudos Bíblicos (LEB) do Brasil , bem como nas Semanas Teológicas Organizadas pelo “Studium Theologicum” de Petrópolis. Na qualidade de representante da LEB, tomou parte na XX Semana Bíblica Italiana, realizada no Instituto Bíblico de Roma de 23 a 28 de setembro de 1968. foi também conferencista e debatedor nas quatro Semanas Internacionais de Filosofia, realizadas respectivamente em São Paulo (1972), Petrópolis (1974), Salvador (1976) e Curitiba (1978). Representou a Arquidiocese do Rio de Janeiro no IV Congresso Eucarístico Internacional, realizado em Melbourne ( Austrália) em 1973. Ainda nesse mesmo ano foi para Jerusalém aperfeiçoar-se em arqueologia bíblica na Escola Bíblica Franciscana e em exegese bíblica na Escola Bíblica dos Dominicanos. De 23 a 25 de junho de 1976 participou do I Seminário de Integração “Sistemas de Ensino-Comunidade do Estado do Rio de Janeiro” como representante da Universidade Santa Úrsula. Entre suas participações mais recentes em encontros internacionais, destacamos, por fim, o Congresso de Teologia, realizado em Caracas ( Venezuela), de 14 a 17 de fevereiro de 1988, onde apresentou a conferência intitulada “Jesus Histórico”
c) Outras atividades
Entre outras atividades
importantes, salientamos as seguintes: Diretor do Instituto de Teologia
da Associação Universitária
Santa Úrsula em 1975; Decano do Centro de Teologia, Filosofia e Ciências
Sociais em 1976 e 1977; Vice-Reitor da Faculdade Eclesiástica de
Filosofia João Paulo II desde 1981; Membro dos Conselhos Universitários
e de Ensino e Pesquisa de 1976 a 1980; Vice-Presidente da Sociedade Brasileira
de Filósofos Católicos desde 1974; Visão Episcopal
de Doutrinas da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil; Membro
da Comissão de Diálogo Judeo-Cristão da CNBB; Diretor
Executivo das Escolas “Mater Ecclesiae” do Rio de Janeiro. Assinalamos,
por fim, que desde 1982 é secretário da Instituição
COMMUNIO e redator-chefe da revista homônima no Brasil, participando
anualmente dos encontros internacionais organizados pela entidade.
Leia agora A Obra EXEGÉTICO-TEOLÓGICA de D. Estevão
Voltar para seção Pergunte e Responderemos.